Frutas e legumes tornaram-se blends de matéria-prima para a “usina” criada em laboratório
UPF/Divulgação/JC
É o fomento necessário para fazer decolar pesquisas inovadoras como as lideradas pela engenheira ambiental e professora Luciane Colla na UPF para o desenvolvimento de bioetanol a partir de matérias-primas alternativas. Em 2012, a partir de microalgas, e, em 2021, a partir de resíduos alimentares, por exemplo, de restaurantes, refeitórios industriais e mercados.
“A pesquisa com alimentos encerrou este ano, com alto rendimento entre algumas matérias-primas em escala laboratorial, mas ainda sem escala pré-industrial ou industrial. O que temos é um mercado muito interessado neste setor e nós, na academia, temos que estar um passo à frente. Por exemplo, antes de virar uma alternativa industrialmente possível, já sabemos que a microalga é viável, ou que produtos industrializados, como batatas congeladas semi-fritas, descartadas na distribuição, podem ter um uso na geração de bioetanol com muito maior valor agregado do que a destinação para rações, ou ainda com pães e massas, com grande quantidade de carboidratos”, diz a pesquisadora.
Como parte da pesquisa, o grupo acompanhou por uma semana a geração de resíduos em supermercados de Passo Fundo. Eram toneladas diretamente enviadas aos aterros, como lixo não reaproveitável.
“Nos chamou a atenção a possibilidade de geração de bioetanol a partir de frutas, como a banana, mamão e casca de maçã. Os resíduos alimentares, de maneira geral, são um problema relacionado ao desperdício, que se torna um fator de insegurança alimentar e não pode ser perdido como possibilidade de matéria-prima para a obtenção de bioprodutos e biocombustível”, conta Luciana.
Ao invés do lixo como destino, ou a outros usos com menor valor agregado, frutas, legumes e produtos alimentícios industrializados que seriam descartados tornaram-se blends de matéria-prima para a “usina” criada em laboratório. É nessa etapa que, segundo a pesquisadora, se apresenta o grande desafio para que seja viável uma escala industrial a este projeto.
“Normalmente as plantas de bioetanol usam uma matéria-prima única. Isso porque a hidrólise (que é o processo químico de desestruturação daqueles alimentos) é feita a partir de enzimas específicas para cada matéria. Para garantir maior celeridade nos processos, as usinas importam a enzima já produzida, há uma dependência desse insumo. Em laboratório, conseguimos produzir cepas e isolar algumas enzimas capazes de processar amido ou até celulose, no entanto, o desafio que fica lançado é desenvolver processos para que essa produção de enzimas se torne eficiente no nível industrial”, comenta a engenheira.
A pesquisa resultou em pelo menos 16 trabalhos científicos produzidos pelos participantes do projeto. E Luciane Colla segue pesquisando outras fontes alternativas para a geração de biocombustíveis. O alvo da vez é o nabo forrageiro.
Fonte: (Jornal do Comércio)
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