Navio iraniano de petróleo: guerra eleva preços de gasolina, diesel e combustível de aviação globalmente — Foto: Marcelo del Pozo/Bloomberg
Dirigindo, voando ou simplesmente tentando aquecer suas casas, os consumidores em todo o mundo estão sentindo rapidamente os efeitos do conflito
Os preços da gasolina, do diesel e do querosene de aviação dispararam, à medida que o conflito entre os EUA, Israel e Irã interrompe o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. E, com a ameaça de prolongamento da guerra — e com o presidente Donald Trump exigindo a rendição total do Irã —, analistas afirmam que os preços podem subir ainda mais, alimentando a inflação.
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— Está muito caro —, disse o motorista do Uber, Ahmed Abdelmagid, enquanto abastecia seu SUV em um posto de gasolina na cidade de Nova York. Durante a noite, o preço à vista do galão de gasolina (com 3,7 litros) comum subiu 30 centavos, para US$ 3,29, segundo dados da GasBuddy.
Principalmente para Nova York, tudo está muito caro —, disse ele.
Os preços da gasolina nos EUA provavelmente atingirão uma média de US$ 3,50 a US$ 3,65 por galão até o meio da semana, de acordo com Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy. Mas US$ 4 por galão, o que parecia improvável no início do conflito, já não parece absurdo, disse ele.
— Ainda tenho alguma confiança de que o presidente do ‘perfure, perfure, perfure, US$ 1,85 por galão em Iowa’ vai intervir antes de chegarmos a US$ 4 —, disse De Haan.
Apesar do aumento da produção nos EUA na última década, o mundo continua altamente dependente do petróleo do Oriente Médio, e grande parte dele flui pelo estreito que agora está efetivamente fechado.
A guerra não apenas ameaçou o abastecimento — está elevando os custos de seguro para petroleiros, aumentando o custo de entrega de petróleo bruto e combustíveis, mesmo quando as cargas podem ser obtidas.
— O impacto nos mercados de energia provavelmente será muito maior do que quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022 — disse Jeff Currie, diretor de estratégia de caminhos energéticos do Carlyle Group Inc.
O choque no fornecimento de produtos refinados também começou a afetar as rotas comerciais tradicionais, com os EUA exportando gasolina para a Austrália pela primeira vez desde 2023.
Problemas na cadeia de suprimentos
Nem todos os países e regiões sentirão os efeitos do choque da mesma forma. Na Ásia, que importa grande parte do seu petróleo do Golfo Pérsico, fornecedores de tudo, desde combustível para navios até gás de cozinha, estão começando a reduzir as vendas para gerenciar estoques cada vez menores. A ansiedade é alimentada bopela falta de reservas significativas para a maioria dos combustíveis.
— Problemas na cadeia de suprimentos estão se espalhando pela Ásia, levando ao acúmulo de estoques, o que amplifica a escassez. Os preços estão começando a convergir com a realidade — disse Currie.
Fonte: (O Globo)