Governo quer aprovar até o fim de 2026 a elevação da mistura de biodiesel no óleo diesel de 15% para 16%; testes técnicos começam neste mês.
A Lei do Combustível do Futuro prevê elevação anual de um ponto percentual na mistura, e a meta do Executivo é saltar dos atuais 15% para 16% ainda neste ano. Os testes técnicos começam em maio, com R$ 30 milhões do FNDCT e aportes privados envolvidos diretamente no processo agora.
A trajetória de descarbonização da matriz energética brasileira ganha um novo capítulo nas próximas semanas. O governo federal acelera as articulações para aprovar, ainda em 2026, a elevação da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel, passando dos atuais 15% para 16%, etapa apelidada no setor de B16.
A informação foi apurada pelo g1 e confirma um movimento que já era esperado pelo cronograma legal. Os primeiros ensaios técnicos começam neste mês de maio e devem indicar se a nova proporção pode ser absorvida sem prejuízos pelos veículos que já circulam pelas estradas do país.
O que prevê a Lei do Combustível do Futuro
A política que organiza esse avanço tem nome e prazo definidos. Pela Lei do Combustível do Futuro, a participação do biodiesel na mistura precisa subir um ponto percentual por ano, com possibilidade de atingir 20% até 2030.
Em termos práticos, isso significa que cada litro de óleo diesel vendido na próxima década pode ter um quinto da composição vinda de fontes renováveis. A escalada gradual é desenhada justamente para dar tempo de adaptação a montadoras, postos e frotas.
A regra também coloca o Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, no centro das decisões. É esse colegiado que precisa bater o martelo a cada novo aumento, sempre amparado por estudos que comprovem a viabilidade técnica da elevação.
Sem esse aval do CNPE, qualquer salto fica suspenso, mesmo que o calendário legal indique o avanço como próximo passo natural. Por isso, a fase de testes ganha peso decisivo no debate atual.
Testes começam neste mês com R$ 30 milhões em jogo
A largada dos ensaios está marcada para maio e vai consumir cerca de R$ 30 milhões. Parte dos recursos vem do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia, o FNDCT, e parte é bancada por aportes privados de empresas interessadas no avanço da agenda.
O objetivo é simular o comportamento do óleo diesel com 16% de biodiesel em diferentes condições de uso. A meta é descartar qualquer risco de falha mecânica, perda de desempenho ou problemas em sistemas de injeção dos veículos.
A estrutura mobilizada é robusta e dá uma dimensão da complexidade do estudo. São 11 laboratórios mecânicos, cinco laboratórios fisioquímicos e seis bancadas de ensaio dedicadas à análise de componentes hidráulicos e mecânicos.
Técnicos próximos da discussão afirmam que esse parque pode ser ampliado conforme o ritmo do trabalho. Caso a capacidade operacional cresça, os testes podem ser concluídos antes do prazo originalmente projetado e abrir caminho para a deliberação do CNPE ainda em 2026.
Endosso de Lula e o discurso da liderança verde
O empurrão político veio diretamente do Palácio do Planalto no mês passado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu publicamente a continuidade do avanço da mistura e enquadrou o tema como uma vitrine internacional do Brasil.
Para o petista, a estratégia de subir um ponto percentual por vez serve para mostrar ao mundo que o país tem tecnologia consolidada em combustíveis renováveis. A ideia é posicionar o Brasil como destino de transferência de tecnologia, e não como mero consumidor.
A fala presidencial foi lida pelo setor produtivo como sinal verde para acelerar a tramitação interna do tema. Ainda assim, a aprovação final depende de comprovação técnica e de articulação no CNPE, que reúne diferentes ministérios e atores do mercado de energia.
Há quem aponte que o cronograma da Lei do Combustível do Futuro já vinha pressionando o governo a cumprir os saltos previstos. O recado público de Lula apenas reforçou o que estava previsto em texto legal e empurrou o assunto para o topo da agenda.
E a gasolina, como fica nessa equação?
O movimento do biodiesel não acontece isolado. Em paralelo, o governo também avalia elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, passando do atual patamar para 32%, formato batizado de E32.
No caso do etanol, os testes de viabilidade já foram concluídos. A medida só depende de uma decisão formal do CNPE para entrar em vigor nas bombas de combustível.
Ainda não há data marcada para o colegiado tratar especificamente do E32. Técnicos ouvidos avaliam, no entanto, que o cenário macroeconômico favorece o aumento, com preços internacionais e oferta interna jogando a favor da medida.
A combinação de B16 no óleo diesel e E32 na gasolina, se confirmada, pode redesenhar o perfil de emissões da frota brasileira nos próximos anos. Para o setor de agroindústria, especialmente soja e cana, o impacto na demanda interna é direto.
O que pode atrasar a aprovação do B16
Apesar do alinhamento político, o caminho não está livre de obstáculos. A indústria automobilística costuma pedir cautela em cada elevação, alegando que sistemas mais antigos podem sofrer com proporções maiores de biodiesel sem adaptações específicas.
Distribuidoras e postos também acompanham de perto a movimentação. Qualquer ajuste de mistura exige logística diferente, novos parâmetros de armazenagem e revisão de protocolos de qualidade ao longo da cadeia.
Por outro lado, produtores de biodiesel pressionam pela aprovação rápida do B16 como forma de garantir previsibilidade aos investimentos já feitos em capacidade de produção. O setor argumenta que o atraso no cronograma desorganiza o planejamento das usinas.
Esse jogo de forças deve marcar os próximos meses até a deliberação final do CNPE. O resultado dos testes laboratoriais será o argumento técnico decisivo para destravar ou adiar o salto para 16%.
E você, é a favor de aumentar a presença do biodiesel no óleo diesel? Acha que essa transição está rápida demais, lenta demais ou no ritmo certo para a frota brasileira?
Fonte:(CPG – Click Petróleo)