Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Grupo Potencial. Foto: Divulgação
Em meio à disputa sobre o avanço da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, o setor tenta reforçar um argumento que vai além da descarbonização: o impacto econômico positivo para a cadeia logística.
O vice-presidente Comercial, de Relações Institucionais e Novos Investimentos do Grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschmidt, defendeu, em entrevista à agência eixos, que o aumento da participação do biocombustível no diesel pode ampliar a demanda por transporte rodoviário.
Atualmente, os produtores pressionam para avançar do B15 — mistura de 15% de biodiesel no diesel — para o B16, conforme previsto no cronograma da Lei do Combustível do Futuro, e, talvez, antecipar o B17, como maneira de reduzir os impactos da guerra sobre os preços do diesel no Brasil.
O setor, porém, enfrenta resistências do governo federal, de distribuidoras, transportadoras e da própria Petrobras, que defendem novos testes de validação técnica antes de autorizar percentuais superiores.
Os caminhoneiros seguem entre os principais críticos do aumento da mistura. Parte do segmento afirma que o biodiesel provoca danos mecânicos, eleva custos de manutenção e compromete o desempenho dos motores.
Hammerschmidt rebateu essas críticas e afirmou que o debate ignora os ganhos indiretos para o próprio setor de transporte.
Segundo ele, o aumento da industrialização da soja gera uma cadeia de subprodutos que demanda mais frete para escoamento.
“Quando eu industrializo a soja, eu gero ‘N’ produtos: farelo, óleo de soja, biodiesel, glicerina refinada, além de demanda para transportar metanol e metilato de sódio”,
afirmou.
Segundo o executivo, o processamento industrial do grão multiplica o valor agregado da cadeia e aumenta significativamente a movimentação logística.
“Aumentaria a demanda de transporte em seis a sete vezes mais”, disse.
O executivo também defendeu uma postura mais agressiva do governo na ampliação da mistura.
“Na minha opinião, o B20 já é totalmente plausível hoje”, afirmou.
Ele disse ter “total convicção” de que a mistura funcionaria sem problemas técnicos, citando a experiência da própria frota do grupo, que possui cerca de 200 caminhões.
De acordo com Hammerschmidt, o Grupo Potencial comercializou cerca de 1,1 bilhão de litros de diesel no ano passado sem registrar reclamações relacionadas ao B15.
“A gente atende em torno de 2 mil postos de combustíveis por mês. Então, nesses três elos, a gente não teve nenhum problema”, disse, referindo-se à atuação da empresa na produção, distribuição e varejo.
O executivo classificou a resistência do transporte como uma “quebra de paradigma” e citou experiências com caminhões adaptados para operar com biodiesel puro.
Segundo ele, um caminhão da frota da companhia, convertido pela Scania para operar 100% com biodiesel, já rodou 200 mil quilômetros após um investimento de cerca de R$ 25 mil.
Críticas a propostas apresentadas no Congresso
Hammerschmidt também criticou propostas legislativas apresentadas em resposta às preocupações do setor de transporte com o aumento da mistura.
Um dos projetos em discussão prevê a obrigatoriedade de aditivos purificadores no biodiesel.
O substitutivo do deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA) ao PL 5502/2025, obriga produtores e distribuidores de biodiesel a adicionarem aditivos ao combustível para ampliar a estabilidade do produto, reduzir absorção de umidade e preservar motores automotivos.
Para o executivo, a medida não se justifica.
Fonte: Eixos
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