Capacidade industrial expandiu 1,5 bilhão de litros em 2026 e setor aposta em combustível marítimo como novo mercado estratégico

A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 11,8 bilhões de litros na safra 2026/27, representando um crescimento de 14,6% em relação ao ciclo anterior, segundo projeções da consultoria Datagro divulgadas em 28 de setembro de 2026. O avanço consolida o etanol de milho como vetor de expansão da bioenergia nacional, impulsionado por investimentos em capacidade industrial e pela abertura de mercados internacionais, especialmente o segmento de combustível marítimo.

A capacidade instalada do setor cresceu 1,5 bilhão de litros ao longo de 2026, refletindo a intensificação de projetos greenfield e a conversão de usinas tradicionais de cana-de-açúcar em plantas flex, capazes de processar ambas as matérias-primas. O Brasil conta atualmente com 33 usinas dedicadas ao etanol de milho, muitas delas operando em modelo flex, o que amplia a flexibilidade operacional e a capacidade de resposta a oscilações de oferta e preço das commodities agrícolas.

Abertura do mercado marítimo

Um dos desdobramentos mais relevantes para o setor é a entrada pioneira no mercado de combustível marítimo. Conforme apurado pela TV SIM Brasil, o setor realizou uma operação de abastecimento de etanol a um navio no Porto de Santos, sinalizando o potencial estratégico do biocombustível como alternativa às soluções fósseis na navegação de longo curso. A operação marca o início de uma trajetória que pode ampliar significativamente a demanda por etanol de milho, especialmente em um contexto global de pressão regulatória por descarbonização do transporte marítimo.

A exportação marítima de etanol representa uma fronteira de crescimento ainda pouco explorada no Brasil, mas que ganha relevância à medida que armadores e operadores portuários avaliam a conformidade com metas de redução de emissões. O etanol de milho, com produção concentrada no Centro-Oeste e infraestrutura logística em consolidação, pode se beneficiar dessa janela de oportunidade, desde que haja coordenação entre usinas, tradings e terminais portuários.

Impacto no ecossistema agroindustrial

A expansão da produção de etanol de milho reverbera em toda a cadeia agroindustrial. O aumento da demanda por milho como matéria-prima energética pressiona a oferta destinada à pecuária e à exportação, exigindo ganhos de produtividade no campo e melhor planejamento de safras. Paralelamente, a geração de DDGS (dried distillers grains with solubles), coproduto proteico da destilação do milho, cria oportunidades para a nutrição animal e pode equilibrar parte da equação econômica das usinas.

Produtores rurais, tradings de grãos, investidores em infraestrutura logística e empresas de transporte marítimo são diretamente afetados por esse movimento. A consolidação do etanol de milho como pilar da matriz energética brasileira depende da maturação de arranjos contratuais de longo prazo, da capacidade de financiamento de novos projetos e da articulação com mercados internacionais exigentes em certificação de sustentabilidade.

O que acompanhar nos próximos dias

Investidores e analistas devem monitorar anúncios de capacidade adicional por usina específica, detalhes operacionais e volumétricos da operação pioneira no Porto de Santos, envolvimento de empresas e tradings na estruturação da cadeia de exportação marítima, e o comportamento dos preços do milho e do DDGS no mercado doméstico. A interação entre safra agrícola, capacidade instalada e demanda internacional definirá o ritmo de crescimento do etanol de milho nos próximos ciclos.

Fonte: (Biocombustiveis)

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