A dependência do diesel para a colheita, o plantio e o transporte de produtos agrícolas ameaçam a safra e pode elevar os preços ao consumidor com a disparada no preso do combustível.
O que você precisa saber
Austrália e Argentina iniciam a colheita de trigo, enquanto Europa e Rússia plantam suas lavouras. No Brasil, o plantio de soja ganha força, e atrasos nessas atividades podem reduzir a produtividade, segundo a Bloomberg.
A oferta global de diesel ficou mais restrita após interrupções no Estreito de Ormuz e ataques ucranianos a refinarias russas. Na Austrália, agricultores enfrentam custos de combustível mais de 50% maiores do que há um ano.
O encarecimento do combustível amplia a pressão sobre os alimentos, que já registram alta. Um indicador da ONU atingiu em setembro o maior nível desde 2022, afetado por eventos climáticos extremos, entraves comerciais e custos de insumos.
Risco para o plantio no Brasil
Produtores do Rio Grande do Sul alertam para possíveis atrasos no plantio de soja se o abastecimento seguir restrito. O estado responde por cerca de 10% da safra nacional da oleaginosa.
Fernando Rechsteiner, produtor de arroz e soja em Pelotas, relata que as entregas exigem planejamento antecipado. “O diesel está disponível, mas não nos volumes a que estávamos acostumados”, afirma.
O preço do diesel na região de Rechsteiner subiu cerca de 40% desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. O Brasil lidera a produção mundial de açúcar e soja e é um importante fornecedor da China.
Custos chegam ao consumidor
A pressão vai além das fazendas porque o diesel também encarece o transporte dos produtos até os mercados. A britânica Elveden Farms paga uma sobretaxa de combustível de 24% pelo transporte de batatas.
A conta anual de diesel da empresa para máquinas agrícolas subiu 40%, para 560 mil libras. “No fim das contas, isso terá que aumentar o custo dos alimentos”, diz o diretor-geral Andrew Blenkiron.
A Copa-Cogeca, grupo que representa cerca de 22 milhões de agricultores da União Europeia, alerta para risco ao abastecimento. A entidade afirma que os custos de diesel, fertilizantes e outros insumos podem provocar “quedas perceptíveis na produção” se permanecerem altos.
Fonte:(UOL)